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Maceió terá 500 mil veículos até 2012

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Números do Detran evidenciam crescimento desproporcional ao número de vias, que aponta investimento em transporte público como solução

Trafegar em Maceió, sobretudo nos horários de pico, transformou-se, há muito, em verdadeira dor de cabeça para milhares de alagoanos. As avenidas Fernandes Lima e Durval de Góes Monteiro - principais vias de acesso às partes alta e baixa da capital - se tornaram os maiores gargalos à fluidez do trânsito, desafio que parece intransponível mediante o aumento indiscriminado do número de veículos.

 

Até 2012 - quando Maceió deverá ter 500 mil carros em circulação -, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), a quem cabe a fiscalização, garante executar ações que visem à melhoria e ampliação dos corredores de transporte. Os contornos de quadra no bairro do Farol já amenizariam o problema de quem precisa percorrer a Fernandes Lima em horário de pico.

 

No entanto, especialistas garantem: a solução residiria pura e simplesmente na ausência de vontade política.

 

Em busca de respostas, a reportagem da Gazetaweb conversou com o professor da Universidade Federal de Alagoas e membro do Conselho Municipal de Trânsito, Alberto Rostand. Para ele, Maceió não necessitaria do modelo adotado em grandes metrópoles como São Paulo, onde o motorista só pode retirar o carro da garagem em dias alternados, conforme o final da placa de cada veículo. O rodízio, segundo Rostand, é uma medida extrema.

 

"Estaríamos desrespeitando o direito de ir e vir do cidadão. O grande problema da nossa cidade é que não se observa uma política estruturante. Maceió não mais comporta novas vias no bairro do Farol, por exemplo. Os contornos de quadra são medidas paliativas, já que não temos corredor de ônibus também porque as ruas foram mal dimensionadas. Até os semáforos funcionam irregularmente", comentou o professor, alegando que a SMTT não dispõe sequer de estudo acerca da contagem de tráfego.

 

"Tem-se também o total desrespeito à legislação, já que uma lei municipal instituiu a proibição de circulação de veículos pesados, em horário de pico, na Fernandes Lima e Durval de Góes Monteiro. Mas na semana passada, por exemplo, deparei-me com o motorista de uma carreta a trocar o pneu do veículo, estacionado em local proibido, paralisando a via", emendou Rostand, que se reporta à Avenida Fernandes Lima como um mal necessário, criticando a possibilidade de se diminuir o canteiro central.

 

"Não adianta. Tudo o que se faz é 'gambiarra'. As coisas só acontecem quando a cúpula resolve arregaçar as mangas", alfinetou o professor universitário, comparando o trânsito a um jogo de futebol. "Um time com o Romário no áuge seria tudo de bom, mas o jogador pode ter uma dor de cabeça e deixar a desejar. Assim funciona a SMTT, com mudanças constantes de comando", disse o professor, cujos alunos estiveram, na última quinta-feira (10), em trechos distintos da Durval de Góes Monteiro, para atividade que consiste na contagem de carros que transitam pela via em determinado intervalo de tempo.

 

De acordo os estudantes do 8º período de Engenharia Civil da Ufal, Ricardo Luis e Cristiano Reis, que trabalhavam sob sol escaldante na manhã da última quinta, na contagem dos automóveis, o último levantamento do tipo foi realizado ainda em 1970, por iniciativa da própria universidade federal. "Até o aumento da tarifa do transporte urbano deveria se basear em dados como o índice de passageiro por quilômetro, a fim de se verificar o real custo para manutenção do transporte", analisou Ricardo.

 

E a tendência, para o professor Alberto Rostand, é piorar. "Como imaginar, por exemplo, o trânsito na região norte de capital com a chegada de espigões e de um novo shopping?", indagou Alberto Rostand, afirmando preferir novas vias a viadutos, e destacando não acreditar que a Eco Via Norte - que ligará o Benedito Bentes à Guaxuma -, será capaz de resolver o problema em sua plenitude.

 

'Transporte público é solução'

 

Já o gerente do Serviço de Estudos de Acidentes e Infrações do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Renan Silva, o problema dos congestionamentos possui relação direta com a ausência de maior investimento no transporte público. "As vias estão preparadas, em este, para suportar as falhas mecânica ou humana, já que mais de oitenta por cento dos acidentes ocorrem devido à imprudência ao volante. E quando as ruas estão abarrotadas, cresce as chances de um acidente, em virtude da impaciência do condutor", explicou Renan.

 

Segundo o especialista, o problema também é agravado pelo fato de o país ainda não dispor de uma padronização no tocante à coleta de dados. "Nem tudo é registrado. Poucos estados dispõem de anuário de indicadores, que trazem ainda informações relativas a documentos como a carteira de habilitação", emendou o gerente, alertando que a frota tem crescido 11% ao ano, motivo pelo qual, em janeiro, Maceió alcançará a marca de 500 mil veículos.

 

Contudo, ainda de acordo com Renan Silva, o índice de motorização - que mede a quantidade de veículos para cada mil habitantes - ainda é 'relativamente baixo, se comparado a grandes metrópoles do país'.

 

"O grande problema é o ideal de consumo que se criou, com todo mundo a desejar um veículo porque o transporte público não funciona. Ou seja, muitas vezes um automóvel transporta, diariamente, apenas uma pessoa, quando esta poderia utilizar o coletivo. Como se não bastasse, tem-se a falha fiscalização, que, somada à ausência de ciclovias, resulta na triste constatação de que metade dos acidentes envolvem ciclistas e motociclistas", complementou Renan, citando trechos das avenidas Juca Sampaio, no Barro Duro, e Fernandes Lima, em frente ao 'O Borrachão', como os que se encontram entre os mais preocupantes.

 

Em 2010, segundo o Detran, foram mais de quatro mil acidentes somente em Maceió.

 

Novo VLT

 

A Gazetaweb também conversou com o assessor especial de trânsito da SMTT, José Moura. Na oportunidade, o assessor se referiu a projeto de extensão do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) como a solução para os congestionamentos em Maceió, com novos carros com capacidade para transportar, simultaneamente, 11,5 mil pessoas.

 

Segundo o projeto da SMTT - que aguarda já recebera parecer do Ministério das Cidades, tendo sido encaminhado ao Planejamento -, o trilho passaria pela Fernandes Lima, saindo da Praça do Centenário, até a nova Ceasa, contemplando, inclusivem, ciclovia. "Como já temos quatro faixas, não precisaríamos realizar grandes intervenções no canteiro central, estreitando apenas as calçadas e as próprias faixas da via, respeitando o código de urbanismo", afirmou José Moura, acrescentando ainda que várias estações contemplariam o trajeto, com direito à escada rolante em mirante no bairro do Farol.

 

O projeto, orçado em R$ 396 milhões, ainda não tem previsão para sair do papel. "Nós precisamos retirar do motorista a sensação de que, com o carro, ele chegará mais rápido ao seu destino, melhorando o transporte de massa", avaliou o assessor da SMTT, admitindo, no entanto, que o projeto de ciclovia para a antiga Via Expressa - sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), por se tratar de uma rodovia federal - seria capenga, motivo pelo qual não foi concluído. "Não temos informação acerca de um novo estudo para aquela via", revelou José Moura, que também se refere aos contornos de quadra como medidas paliativas, 'mas necessárias'.

À reportagem, o assessor destacou ainda as mudanças que ocorrerão em várias ruas dos bairros do Poço, Mangabeiras e Jaraguá, com o intuito de se buscar melhor fluidez. "As ruas Cid Scala e Sá e Albuquerque, por exemplo, terão o sentido invertido, além do que a Comendador Leão se tornará mão única, para quem sai do Poço em direção à Avenida Dona Constança, no bairro de Mangabeiras", afirmou o assessor, acrescentando que a SMTT divulgará tais alterações por meio de mapas, com os fiscais também a orientar os condutores.

 

A SMTT também se debruça sobre sistema de monitoramento, por meio do qual irá espalhar 100 câmeras em trechos estratégicos, reforçando a fiscalização. "Se retirarmos os caminhões da Fernandes Lima não iremos resolver o problema porque já estamos atingindo o limite de vias públicas. O motorista também precisa se conscientizar de que, quando de uma colisão, não há a necessidade de permanecer no local do acidente sem mover o carro. Orientamos que se retire o veículo após o registro da colisão até com uma foto de celular", explicou Moura, sobre o que, segundo ele, pode ser capaz de minimizar os transtornos em horário de pico.

 

por GazetaWeb - Bruno Soriano

Comentários 

 
0 #1 fernando santana 07/03/2012 13:25
eu tenho apenas 23 anos, nem precisa ser um especialista em transito para verificar que na capital existem semaforos sem necessidade onde poderian ser feita passarelas cruzando as vias terrestres.

rodisio em maceio num vai da certo nunca a cidade mau tem fiscalização de transito, outra falta mesmo é organização da smtt para resolver o problema.
o que se ver de motorista fazendo manobras perigosas no retorno do macko e impressionante.

pelo amor de deus resolvam o problema e um absurdo do tabuleiro a mangabeira se leva quase 1 hora de transporte publico de carro em horarios nao d pico se faz o mesmo percuso em apenas 20 a 25 minutos, fora que demora 1 hora para passar o coletivo ou seja 2 horas para percorrer apenas 15 km. se ficar falando aqui vou passar o resto da vida boa tarde a todos infelizmente estamos em maceió onde a preocupação dos nossos representantes e simplismente o prorpio bolso.
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