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Tabuleiro do Martins
Publicado por Nandomcz em 03/4/07 (3707 leituras)
Bairro TABULEIRO DO MARTINS
No tempo de João Martins, o Tabuleiro era um arrebalde. Tudo era difícil, até mesmo para se deslocar até a capital Por: Fernando Coelho Tudo começou com um sítio do casal João Martins Oliveira e Stella Cavalcante de Oliveira, que viveram unidos durante 51 anos, e tiveram dez filhos. Um casal exemplar, íntegro, querido pelos pobres, amigo de todos. Ninguém pagava aluguel de suas casas. Abriu ruas e o pequeno sítio foi se transformando num novo bairro, que, por justiça, se chamou Tabuleiro do Martins, uma homenagem do povo ao seu fundador. Tudo era difícil naquela época. Não existia água canalizada, nem tampouco energia elétrica. O transporte era feito num velho ônibus, chamado de “sopa”, que descia a ladeira esburacada para chegar ao Fernão Velho, onde pegava-se o trem para chegar a capital. “Seu Martins” participava de tudo: fornecia lenha para a fábrica de tecidos de Fernão Velho, garantia água para a população e se tornava chefe político, econômico e até espiritual da comunidade. Era compadre de quase todos os moradores. Construiu-se uma praça que o prefeito Sandoval Caju deu o nome de Praça João Martins, uma justa homenagem ao fundador João Martins de Oliveira. Novas ruas foram surgindo assim como a feira livre, que cresceu tanto, sendo hoje uma das maiores do Estado. O bairro ampliou-se para o lado oposto da pista, e recebeu o distrito industrial, conjuntos residências e dezenas de casas comerciais. Foi também no Tabuleiro do Martins onde a Petrobrás descobriu as maiores jazidas de petróleo. Aproveita-se todos os recursos naturais da área. A água é mineral. A energia é farta; e o clima de planalto permite uma boa qualidade de vida a todos os seus milhares de moradores, que formam um dos mais populosos bairros de Maceió. O Bairro cresceu e já tem vida própria No tempo de João Martins, o Tabuleiro era um arrebalde. Tudo era difícil, até mesmo para se deslocar até a capital. Dos anos 60 pra cá, cresceu aceleradamente com o aparecimento das indústrias em seu lado direito (de quem sai de Maceió), a abertura de novas ruas e o Campus Universitário. Hoje, o bairro é dividido em dois: Tabuleiro Velho (onde tudo começou com o sítio de João Martins) e o Tabuleiro Novo, com os conjuntos habitacionais e as indústrias. O bairro ganhou agência bancária, uma movimentada feira livre, supermercados, mercadinhos, dezenas de outros estabelecimentos comercias de pequeno e médio porte, além de escolas, postos de saúde e outros serviços básicos. Os descendentes do fundador quando aparecem por lá lembram saudosistas da tranqüilidade do lugar no seu tempo. Havia dificuldade, sim, mas não tinha o tumulto de hoje, com um trânsito violento nas duas pistas asfálticas de entrada e saída da capital. Mas é o progresso que traz tudo isso. Pra crescer, o bairro teve de perder sua tranqüilidade, para se tornar um agitado corredor de transporte, mercadorias e de gente por todo lado. João Martins de Oliveira nasceu em Rio Largo, em 14 de abril de 1879. Casou-se em 1911 com Stella Cavalcante de Oliveira, natural de Atalaia, com quem teve dez filhos e viveu 51 anos. Trabalhos durante muitos anos na fábrica de Fernão Velho, e adquiriu um sítio na alta do distrito industrial, iniciando a povoação que deu origem ao bairro Tabuleiro do Martins. A filha Cléria Cavalcante de Oliveira afirma que João Martins era um homem sério, um cidadão de bem, respeitado e querido por todos. Sua mãe, Stella, era uma criatura meiga, suave nunca tendo alterado a voz, vivendo somente para servir a sua família e aos mais necessitados. O casal era sempre convidado para batizar as crianças do sítio. Todos os filhos viveram a infância e adolescência no Tabuleiro. No tempo de criança, todos aprendiam as primeiras letras na própria casa grande do sítio com professores contratados pelos pais. Depois seguiam pra Maceió, onde os meninos ficavam internos no Colégio Diocesano e as meninas no Colégio Coração de Jesus. Tudo era difícil naquela época, mas o casal sabia contornar os obstáculos e os filhos foram criados com muito carinho, em harmonia e respeito. Corália Cavalcante Jatobá, outra filha de João e Stella Cavalcante, lembra que seu pai tinha comunicação com Bebedouro, através de carros de boi. Ela e seus irmãos iam para as festas de Natal do major Bonifácio Silveira, sempre utilizando esse meio de transporte. Quando da inauguração da praça João Martins, a filha Cléria, falando em nome de toda família do homenageado, afirmava que aquele momento era especial para todos os moradores do bairro, não somente para os filhos de João Martins, pois ele foi o criador de tudo. Do Casal João Martins de Oliveira e Stella Cavalcante de Oliveira, Nasceram os seguintes filhos: Baldomiro, Baldomero, Manoel, Bianor, Cordélia, Cléria, Corália, Berenice, Claunice, Cladianor. São os avôs paternos da jornalista Zélia Cavalcante. Fonte: José Ademir, Jair Barbosa e Fernando Coelho
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